segunda-feira, 15 de junho de 2015

A FUGA NO MEIO DA NOITE

A fuga no meio da noite

Rogel Samuel

No chão cruzavam-se várias faixas coloridas. Luzes. Grossas cortinas de veludo. Um grito muito longe. Bastava um passo e estaria concluída aquela parte. Enlouqueço? Havia um longo caminho estendido, uma larga planície vazia.
- Que ventos são esses, que cortinas?
Assoviavam aterrorizantes tempestades, canções das almas dos infernos. Liberdade? Um súbito estalo o estremeceu, desde o fundo da terra, das plantas dos pés. Passos de veludo. Pelo luzidio dos lustres bailavam ondulosas bailarinas, vozes recitavam, de uma igreja, murmúrios monótonos e flautas. Sensação de quem vê a morte aproximar-se. A todas as tintas. A morte irreconhecível. Semblante de quem procura, mas não vê, reflexos nas paredes. Palpitam risadas. O universo em decantação, o tombamento. Um espetáculo de fundo de mar, vagas. Cantavam? Um monstro untuoso, disforme, que se desfazia em pasta e massa repugnante. Fluía pelos poros da testa. Música estival. Cartazes, gigantescas letras.
(Lembrou-se que continuava no palco, representava, mas não podia conceber o que fazia. Procurou divisar o auditório. Nada. Tudo morto, vazio, surdo).

PALÁCIOS DA BORRACHA


PALÁCIOS DA BORRACHA


Resenha de Rogel Samuel

A parte paraense do livro é excelente. A de Manaus deixa a desejar. Os palacetes da borracha de Manaus não foram mostrados (será que desapareceram?). Eu poderia apontar uns 10 - o dos Miranda Correia (já demolido), uns dois ou 3 na praça da Saudade, um em frente ao Ideal Clube, o castelinho de Adrianópolis, ao lado do de meu avô. Na rua Joaquim Nabuco há vários. Há o palacete de J. G. de Araujo Jorge ao lado da casa de Álvaro Maia. Na Sete de Setembro, além do Palácio Rio Negro há vários. Na rua Barroso, além da Biblioteca, há outros. Na Av. Eduardo Ribeiro também. Enfim, estou afastado de Manaus há mais de uma década, minha memória me trai. Mas a bibliografia é fraquíssima.
Apesar disso, o livro é belíssimo. E barato. 

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